Evolução do conceito clínico de verruga peruana entre 1842 e 1871

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  • Title: Evolução do conceito clínico de verruga peruana entre 1842 e 1871
  • Author(s): Eduardo Sugizaki
  • Publisher: Common Ground Research Networks
  • Collection: Common Ground Español
  • Series: Salud, Bienestar y Sociedad
  • Journal Title: Revista Internacional de Humanidades Medicas
  • Keywords: Bartonellose humana, doença de Carrión, verruga peruana
  • Volume: 1
  • Issue: 2
  • Year: 2012
  • ISSN: 2254-5859 (Print)
  • DOI: https://doi.org/10.18848/2254-5859/CGP/v01i02/63-76
  • Citation: Sugizaki, Eduardo. 2012. "Evolução do conceito clínico de verruga peruana entre 1842 e 1871." Revista Internacional de Humanidades Medicas 1 (2): 63-76. doi:10.18848/2254-5859/CGP/v01i02/63-76.
  • Extent: 14 pages

Abstract

Neste artigo, uma nova história do conhecimento médico sobre a doença de Carrión é construída. Em uma preliminar revisão da historiografia (existente desde 1885), encontramos o seguinte núcleo narrativo (ainda reiterado, atualmente): 1) até o surgimento da ‘febre de Oroya’, em 1871, conhecia-se apenas uma doença eruptiva, a verruga peruana; 2) em 1875, a medicina peruana propôs que a verruga peruana e a febre de Oroya deviam ser a mesma doença; 3) em 1885, Daniel Carrión conseguiu experimentalmente unificar os quadros clínicos quando inoculou em si mesmo sangue de um paciente com verruga peruana e morreu com febre de Oroya; 4) a enfermidade passou a denominar-se ‘doença de Carrión’. Este artigo questiona alguns dos fundamentos desta versão tradicional. A literatura médica publicada em inglês, alemão e francês mostra que, entre 1842 e 1871, já existia a descrição clínica global da doença. Apenas a literatura médica publicada em espanhol descrevia a doença como dermatose apirética. Descobriram-se também os obstáculos ao conhecimento da doença, que explicam esta divergência. A disparidade e a inconstância dos seus sintomas, os gerais e os locais (tal como febre e erupções, respectivamente): 1) dificultavam a compreensão global de suas manifestações; 2) sugeriam uma complicação constante do paludismo; 3) e barravam a analogia com as febres eruptivas. Diferentemente do que propõe a narrativa tradicional, estes obstáculos foram superados antes e independentemente do aparecimento da noção espúria de ‘febre de Oroya’. A superação não veio pela unificação de duas doenças, mas pela percepção de uma coordenação na manifestação dos sintomas heterogêneos. Este racionalismo conseguiu integrar sintomas que um empirismo raso apartava, como fenômenos patológicos isolados, e encaminhar o diagnóstico diferencial clínico entre a verruga e o paludismo. O saldo epistemológico deste trabalho é uma maior compreensão dos mecanismos da construção da unidade nosológica, na Idade Clínica da medicina.